é isso aí. estou escrevendo um livro. estou nos dois últimos dias de aviso prévio. estou sem namorado. na segunda estarei sem emprego. e exatamente agora, estou olhando para a tela do computador da empresa na pior crise de inspiração que já tive na vida.
na verdade, estou me sentindo muito propriamente uma personagem. da minha própria vida. uma espécie de bridgt jones, exceto que mais magra, mais errante. encontrei todas as falhas possíveis nos últimos meses: empregos milho, lei de murphy, fracasso, homens-cafa. e de repente, tenho a chance de recomeçar literalmente do zero. recebi ofertas de emprego, tem um coach ao estilo tio-fodão vindo pra sampa treinar e agenciar escritores. eu tenho um mês inteirinho pra terminar meu manuscrito.
então qual é a droga do problema comigo? acho que pela primeira vez perdi a fé em deus, nas pessoas, na vida. minha determinação tá lá. é a única coisa que eu ainda tenho. mas em vez de ser a grande válvula ignotora da minha vida, se tornou uma coadjuvante na história. uma espécie de escrava do pessimismo, da falta de sorte, do medo e do fracasso - as irmãs cruéis. e embora eu tenha uma vontade terrível de me enfiar embaixo das cobertas e nunca mais acordar, sei que isso não é uma atitude de gente grande.
mas também não sei esperar, dar tempo ao tempo. A chamada "fé na vida" e sua gêmea "deixe a vida te guiar" não me inspiram confiança e paciência. O que me resta, afinal, é minha interminável capacidade de achar que as coisas vão dar certo (mesmo quando minha fé é fraca) e uma única idéia na cabeça: eu tenho exatemente 30 dias a contar de hoje pra fazer as coisas acontecerem.
livro, emprego bacana, namorado. será que eu chego lá?